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O oposto de
Ochs. A
Marschallin é a personagem que na ópera confere a dimensão trágica ao esquema picaresco centrado na figura um tanto quanto pueril de
Octavian. No primeiro esboço da ópera esta personagem não tinha a importância que veio a ter no final. Na verdade não aparece no segundo acto e no terceiro aparece como figura de climax e desenlace. Todas as personagens da ópera parecem recortadas de Goldoni, são funcionais no estilo novelesco do século XVIII.
Sophie é equivalente à heroina do mesmo nome da novela de Fielding,
Tom Jones (não é o cantor. é outro);
Octavian é um jovem
gentilhomme típico de qualquer trama libertina;
Ochs a impagável besta de serviço;
Faninal, é o novo rico;
Valzacchi e
Annina os criados bisbilhoteiros e conspiradores. A Marschallin nunca possui uma dimensão comica. Não se envolve na trama; emoldura-a. Nesse papel dirige-se a nós e é a única personagem que se dirige directamente ao público, não como o coro das tragédias, nem como um narrador, mas pela natureza do seu discurso reflexivo sobre o tempo. É o tempo que a ultrapassa, mais ninguém. É ela que ao tomar a consciência da realidade que se lhe escapa por entre os dedos descola-se da trama de todos os outros personagens e introduz a morte no plano da comédia. A música acompanha numa das páginas mais sublimes de Strauss; o trio final da ópera.
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