11.6.06

Bienal de Berlim (5) - Michaël Borremans



Pintor belga, mais um, nascido em 1963. Herda parte de uma vertente metafísica da pintura que questiona o lugar da pintura e do observador, da pintura enquanto dispositivo, numa mise en scène laboratorial. Os objectos que escolhe funcionam como termos de formulações estruturais. Cada objecto pintado propõe para lá de uma imagem um determinado regime de imagem; cada objecto representado funciona como elemento estrutural de um discurso sobre a pintura. A pintura de Borremans como em tantos outros exemplos mais ou menos recentes e apoiando-se sobre reflexões originadas do âmbito fotográfico, aproxima-se do universo conceptual. Toma então como referentes de uma sua história discursiva obras como a de Vermeer ou a de Caspar David Friedrich, o batidíssimo Las Meninas. A reforçar o discurso sobre a pintura estão expostos ali juntos com todos estes pequenos statements, um modelo tri-dimensional de uma casa, a mesma representada nas pinturas e um pequeno vídeo com um modelo impessoal, figura, sobre uma plataforma que roda lentamente, ou seja; elementos exteriores à pintura que reforçam desse modo insuspeito o discurso sobre esse lugar de suspeição tornada permanente; a representação na pintura. A pintura assim dissecada em processo questionador poderá então e talvez questionar agora por si mesma o lugar da generalidade da representação como drama e recuperar a sua actualidade.

3 comentários:

João disse...

Ele também é gajo para ir "buer" umas influenciazitas ao Magritte, não?

Anónimo disse...

Pois é... Magritte também pertence a essa grande família da metafisica pictórica onde tambem se situa Pombeiro.

O Grande Turco

Anónimo disse...

Pombeiro? Who the fuck is pombeiro?