7.6.06
Bienal de Berlim (2) Oliver Croy & Oliver Elser
Entra-se na sala e numas mesas compridíssimas estendem-se casas tipo pista de combóios HO mas em cartão, a perder de vista. A história é esta: O artista Oliver Croy que trabalha em colaboração com o Sr. Elser entrou um belo dia numa loje de bric-a-brac em Viena na Austria. Aí descobriu 387 modelos de edifícios à escala em cartão (já montados). Tendo dinheiro comprou-os todos e descobriu que tinham sido realizados por um empregado dos seguros chamado Peter Fritz que tinha falecido no ano anterior. Vai daí e resolve com o amigo Elser investigar sob o nome de "Projecto de Estudos Fritz" as relações entre cada modelo individual com a realidade tentando descobrir os referentes de cada um. Verificaram que estes não existiam. Fritz baseou todos os seus modelos em arquétipos austríacos os quais na realidade nunca existiram. Fritz foi considerado assim utopista criando projectos arquitectónicos à espera de ser construídos. Moral da história: Croy, Elser & Fritz, no mínimo.6.6.06
Bienal de Berlim (1) Reynold Reynolds & Patrick Jolley
"Burn" é o nome desta curta metragem. No quotidiano de uma casa qualquer um tipo resolve deitar fogo à cama onde dorme uma tipa qualquer. Bom... começa tudo a arder; o moço que deitou o fogo morre ali no meio do inferno das chamas que consomem a casa mas ninguém liga. Cool. O Sr. não-se-como-se-chama continua inpávido a ler o jornal. A Srª D. Não-se-também-como-se-chama continua nos afazeres domésticos. Ninguem se rala. Achei uma piada bestial ao filme. No catálogo fala-se na relação com o apocalipse, no "absurdo isolamento e na negação dos protagonistas, aprisionados no seu próprio mundo". Talvez. Na verdade acho a ideia bem simples. O fogo consome a casa e ninguém se rala. É simples e funciona bem.4.6.06
Verónica Felner expõe aqui mesmo ao lado no Hall



Depois de três meses a preencher papéis a caneta de feltro inspirada em Gauguin e outras fontes, e antes de emigrar para a Dinamarca, Verónica Felner presenteia os trillkenses com uma parede cheia de trabalhos. A ideia é em 2007 editar trabalho através de publicações alternativas com o trabalho iniciado aqui. Ficam as imagens do evento.
3.6.06
Projecto Pinoleiro em curso / Pin-hole Camera (no digital) photos next month
2.6.06
Amigos de Strauss (IX) Stefan Zweig
Zweig foi apresentado a Strauss pelo editor Kippenburg. O escritor austrìaco era nos anos trinta já bastante conhecido como autor de biografias de grande agudeza psicológica (as teorias do seu conterrâneo Freud eram para ele fundamentais) e pelas suas short stories. Formado no mesmo ambiente cultural de Hofmannsthal tinha como objecto principal de atenção nas suas personagens os seus valores morais. As suas relações com o mundo musical eram já establecidas tendo no seu círculo figuras como Reger e Busoni. Quando apresentou a Strauss a ideia de adaptar uma peça de Ben Jonhson, Epicoene, or the Silent Woman, este aceitou imediatamente a ideia. Quando em Janeiro de 1933 Zweig entregou o Libretto daquilo que seria a ópera Die Schweigsame Frau (A Mulher Silenciosa), Strauss quase não o alterou, sem duvida como agradecimento e satisfação de ter descoberto um libretista digno sucessor do falecido Hofmannsthal (1929). Zweig era judeu. Ao mesmo tempo que Zweig entregava o Libretto, Hitler subia ao poder na Alemanha. Strauss era uma figura importante do establishment alemão pelo que os nazis precisavam dele. Tal significava que no início os novos dirigentes foram tendo que aceitar as suas exigências mesmo as de conservar um libretista judeu em troca da sua aquiescência em dar a cara para os projectos de uma Alemanha em "renovação" política e cultural. Strauss trabalhou rápidamente. Goebbels deu em 1934 a "protecção oficial" ao trabalho mesmo com facto da associação dos dois autores ser considerada escandalosa. Quando dois dias antes da estreia em Dresden em Junho de 1935 Strauss verificou que o nome de Zweig fora apagado dos cartazes de divulgação da ópera, protestou e conseguiu que o nome fosse re-colocado tendo isso custado mais tarde ao director da ópera de Dresden, Paul Adolph, o seu emprego. Com Maria Cebotari no papel principal e o jovem Karl Böhm na direcção da orquestra a estreia foi muito bem recebida. Deram-se mais quatro performances até os Nazis silenciarem a Schweigsame Frau por mais de uma década. Em 17 de Junho Strauss escrevera uma carta a Zweig. Esta foi interceptada pelas autoridades. Nessa carta Strauss declarava o seu desprezo pela política e pelas polémicas da raça. Strauss foi obrigado a escrever um pedido de desculpas pessoal ao Führer. A colaboração com Zweig ficava fora de questão; Tudo o que pode esperar foi o conselho de Zweig para um substituto. Josef Gregor foi o autor que Zweig pensou então poder tornar-se um novo Hofmannsthal. Não o foi. Strauss perdera com Zweig o último colaborador que realmente o inspirou.1.6.06
31.5.06
Amigos de Strauss (VIII) Gustav Mahler
Admirador e rival. Tal foi a relação que Gustav Mahler, quatro anos mais velho, foi mantendo com Strauss desde que concorreram em 1884 para o posto de chefe de orquestra em Meiningen (um pequeno ducado que possuia uma das melhores orquestras sinfónicas da época), com Strauss a levar a melhor até à morte de Mahler em 1911. Só se conheceram pessoalmente em 1887 em Leipzig quando Strauss dirigia em Weimar no meio do fervor wagneriano. Entreajudaram-se mutuamente nas suas obras rivalizando mais no meio da direcção de orquestras. Mahler, referindo-se a Strauss afirmou que "ambos escavavam por diferentes túneis na mesma montanha". Em 1907 Mahler foi um dos mais ardentes defensores da ópera Salomé, o grande "escândalo" musical de Strauss. A sua impotência e consequente raiva por não ter conseguido que a obra fosse incorporada nos projectos da ópera estadual de Viena esteve na origem da sua demissão de director desta instituição. Os dois compositores afastavam-se porém; por esta altura Mahler não conseguia compreender como poderia o génio musical demonstrado em Salomé conviver com a natureza equívoca e ataques de oportunismo em Strauss.30.5.06
Amigos de Strauss (VII) Cosima Wagner (n. Liszt)

Strauss foi-se aproximando do universo wagneriano ao mesmo tempo que Von Bülow se ia afastando do mesmo. Von Bülow no entanto tudo fazia para aproximar Strauss da obra de Wagner. As relações do jovem compositor com Bayreuth começaram com uma produção de Parsifal. Cosima, a viuva de Wagner, ficou muito agradada com a notícia que Strauss substituira, num programa de concerto em Wiesbaden, o Deutsches Requiem de Brahms pela Héroïde Funèbre do seu pai, Liszt.
Uma das primeiras aventuras de Strauss em Weimar, após aceitar o posto de dirigente do teatro da corte, foi a de produzir o Tristão. Strauss quis criar novos standards de qualidade nesta ópera e na interpretação wagneriana. A 17 de Janeiro de 1892 graças aos talentos de Pauline (futura mulher do compositor) como Isolda, de Hans Zeller como Tristão e à meticulosa revisão de Strauss da partitura, a ópera obteve um sucesso estrondoso.
Cosima, que tinha ideias muito estritas sobre os tempos lentos da música do último periodo do marido, ficou muito surpreendida com a condução impulsiva de Strauss. A viuva passou deste modo e também a ser uma preciosa comentadora da sua obra composta. A relação entre os Strauss e Bayreuth tornou-se mais fria com a estreia de Guntram em 1895 e com a descoberta de uma linguagem própria do compositor.
Ciência Fixão, Fixão Científica
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