30.4.06

Fundos para Strauss (VIII) - Formação e Primeiras Obras 1870-1885



Paisagem alpina que fica a meio caminho mais ou menos entre as paisagens pós-impressionistas de Hodler e o quadro simbolista Il Sole de Giuseppe Pelizza da Volpedo. Refere-se a uma das categorias fundamentais da estética romântica que Strauss bebeu na juventude; o sublime. Irá funcionar como fundo para as duas páginas dedicadas aos anos de formação de Richard Strauss. Como sucede em qualquer biografia estes anos surgem sempre como cruciais para "explicar" determinadas características da personalidade focada. No caso de Richard Strauss foi determinante ter nascido numa família de músicos e com boas relações com o meio musical alemão da era Bismarckiana. Desde cedo foi treinado para a sua futura profissão. A sua infância passou-a no teatro e foi muito influenciado por uma performance a que assistiu com seis anos do Freischütz de Weber no teatro real de Munique. A Flauta Mágica também o marcou. Cedo conheceu personalidades como o maestro Von Bülow, críticos como Eduard Hanslick e Brahms. As suas primeiras composições foram publicadas e tocadas. Outro dado frequentemente tomado como muito importante é a natureza quintessencialmente bávara do seu carácter; o humor.

29.4.06

Fundos para Strauss (VII) - 1864 e 1949

Strauss em alemão é avestruz. Está explicado o mistério. Abro a história com uma na data de nascimento (1864-Munique) e fecho com outra no ano da morte do compositor (1949). A avestruz adormecida ou morta está colocada sobre um fundo que nos remete para a última das quatro últimas canções; Abendrot, ou vermelho do entardecer se quisermos traduzir à letra.

27.4.06

Händelhaus



Em 1685 nasceu Georg Friedrich Händel nesta casa em Halle. A terceira fotografia mostra o quarto onde nasceu, com vista para a Kleine Ulrichstrasse. Teve as primeiras aulas de música com Wilhelm Zachau num orgão que ainda se pode ver na Liebfrauenkirche (a tal igreja "fetiche" nas pinturas de Feyninger) na praça principal da cidade. Ainda em muito jovem foi notado por Telemann que se deslocou de propósito a Halle para o escutar. Em 1704 após a morte do pai aceita um posto de violinista em Hamburgo e parte definitivamente da Saxónia. Em 1712 habita permanentemente em Londres ao serviço da Rainha Ana e mais tarde do eleitor de Hanôver, o futuro Jorge II. Embora Halle seja apenas o lugar de infância e formação do compositor e este tenha adoptado a cidadania britânica, organiza um importante festival consagrado à sua música. A casa natal possui anexada um muito razoável museu de instrumentos músicais.

26.4.06

Francke Stiftung



Há trezentos e tais anos um teólogo protestante, August Hermann Francke (1663-1727) fundou um orfanato às portas de Halle. Os edifícios ainda existem hoje. O projecto, motivado pelo pietismo incluia um sistema escolar completo, uma quinta, oficinas de impressão (milhões de Bíblias impressas) e dedicadas a outras artes, projectos comerciais, para lá das habitações. Constituiu-se como uma pequena cidade dentro da cidade. Esta instituição ganhou a reputação de uma "nova Jerusalem" por toda a Europa e tornou-se o modelo de instituições semelhantes neste continente, na India e nas colónias americanas. Desde 1991 com a retoma das funções originais da fundação recupera-se este património, os edifícios, a valiosíssima biblioteca setecentista dedicada às ciencias e o wunderkabinett, um dos mais completos em todo o mundo. Foi este último que me despertou a curiosidade (não fose essa a sua tradução para português; gabinete de curiosidades). Infelizmente não pude tirar fotos com flash. Tinha duas ou três pinturas expostas. Uma delas representa uma personagem de peruca tipo marquês de pombal, mas com uma pouco usual expressão sorridente e desbragada. O sujeito arregaça a manga e mostra no antebraço uma tatuagem. É Cristo na cruz com a caveira por baixo, a Virgem e Maria Madalena. Não sei porque não vem esta imagem em nenhuma das recolhas da Taschen. Os armários, organizados por matérias, são coroados por pinturas, por vezes arcimboldescas sobre a ciência em questão. Na rubrica Zoologia é um jaguar humanizado que nos olha. Na botânica é uma arcimboldice vegetal, tal como mineral é na secção de mineralogia. Nas secções dedicadas às culturas humanas temos um negro que trabalha em artesanato concentrado nessa tarefa, um trajo turco, na secção trapos e trapinhos e uma composição de varios fragmentos de papel escrito com os mais variados caracteres na secção de linguística. Imperdível para aqueles que gostaram de pintura holandesa do Brasil e querem ver mais (coloquei neste grupo uma pintura de Alberto Eckhout como exemplo só para ilustrar o tipo de mimos pictóricos de que falo).

Um Com e Outro Sem

Dois autoretratos a acrílico, feitos em Halle a 24, com um daqueles espelhos diminutos que as senhoras usam para pôr coisas nos olhos, pintar os lábios & etc. Num estou meio vesgo por estar sem óculos; no outro, desconfiado. Como estamos dentro do prazo para entregar a BD do Strauss , aproveitei para pintar outras coisas que não fossem personagens do século passado (calma aí!... eu sou do século passado)

25.4.06

Funf und Zwanzig April!



Vivóó. Como se vive um feriado político e português por estes lados? Nada de especial. Fiquei até depois da meia noite a ouvir a Frau ohne Schatten. Acordei em Halle, visitei a Francke Stiftung (um orfanato protestante e revolucionário do século XVII que ainda funciona) vim para Hildesheim, ajudei a Thym a plantar três árvores, fiz para aí uns 8 desenhos e por puro acaso recebi pelo correio um Cd com música da Amália e um outro do Zecáfonso! Agora, a poucos minutos da meia noite portuguesa para vinte seis, oiço os concertos de órgão de Händel versão Koopman. Semos portugueses! Vivóó!

Zauberwoche



Chamam-lhe aqui semana mágica. É verdade. Da noite para o dia a paisagem passa de cinza a verde. Algumas espécies não se contentam e dão ainda alguma cor mais ao cenário.

20.4.06

Amigos de Strauss (VI) Goebbels

Pois é. É esta a mais polémica "amizade" de Strauss. Em 1933 o regime Nazi ansioso por ganhar prestígio aos olhos do exterior elabora pelas diligências de Joseph Goebbels um golpe de propaganda no mundo musical.
Nomeia Strauss presidente da Reichsmusikkammer e Furtwängler como vice-presidente sem os consultar. A verdade é que Strauss nada fez para recusar esse posto. Tal como Furtwängler (e ao contrário de Herbert von Karajan) estava longe de ser apoiante do partido ou de simpatizar com Hitler mas ingénuamente acreditou poder promover o melhor da cultura musical alemã, para além de defender com isso a ópera Die Schweigsame Frau e o seu novo e precioso libretista que era judeu, Stefan Zweig. Para além de Zweig e muito mais próxima, a sua nora, Alice era Judia o que fazia dos seus dois netos Christian e Richard, meio-judeus. Os pogroms andavam no ar. Strauss já sofrera de abusos da censura na época de Guilherme II. Pensava que desta vez não seria diferente. Um encontro em 1934 com Goebbels ganhou para Schweigsame Frau o selo da protecção oficial. A ópera estreou em 1935 mas em 17 de Junho os nazis interceptaram uma carta de Strauss para Zweig onde aquele escrevia que nunca agira ou compora movido pelo sentimento de germanidade, que Mozart tunca tivera a consciência de que era "ariano" nos momentos em que compunha. Terminava dizendo que só existiam dois tipos de pessoas: as que têm talento e as que não têm e que para ele o povo só existia como tal quando se tornava audiência. A ópera foi banida, Strauss foi levado a demitir-se do posto de presidente da Reichmusikkammer e ameaçado. So então percebeu o poder e a natureza do novo poder político na Alemanha. Strauss foi ingénuo tal como Furtwängler e tantos outros que aceitaram ficar, só porque pensaram ser passageira a então presente situação política e por terem acreditado na possibilidade moral de um retiro solitário para o mundo da poética no meio dos mais gritantes atentados à dignidade humana. Richard Strauss, velho e amedrontado escreveu perante a ameaça, uma carta obsequiosa ao Fürher explicando como se tinha dedicado sempre ao serviço da mais sagrada arte alemã. Mesmo ilibado em todas as suas relações com o nazismo nos tribunais de desnazificação, Strauss não é tocado hoje em Israel.

19.4.06

Amigos de Strauss (V) Richard Wagner

Não foram amigos. Wagner nunca chegou a conhecer pessoalmente Strauss e por isso Richard Strauss nunca conheceu pessoalmente Richard Wagner. Tal já não se pode dizer do pai Franz Strauss. Este, um admirador fervoroso do classicismo musical, era o trompista principal da orquestra real do teatro de Munique. Sob a protecção de Luis II da Baviera, Wagner dirigiu esta orquestra ao mesmo tempo que a sua musica alimentava as criações semi-loucas do monarca. Politicamente, a presença de Wagner não era bem vinda na corte de uma cidade conservadora como Munique. Musicalmente este conservadorismo também se manifestava e dentro da orquestra as vozes de oposição ao novo e revolucionário estilo do compositor começaram a surgir. Franz Strauss era o líder destas vozes embora tocasse os solos no Tristão, no Siegfried ou nos Meistersinger com o mesmo zelo musical que os tocava na Eroica. Wagner acabou expulso, tal como sucederia mais tarde e pelos mesmos motivos (o wagnerianismo, essa doença) com Bülow. Durante o resto da vida Franz Strauss referir-se-ia a Wagner como a um bárbaro musical. Inflexivel, recusou levantar-se na homenagem da orquestra na ocasião da morte do compositor em 1883. Irónicamente a obra de Richard Wagner acabou por ser uma das grandes paixões do filho Richard. Tal veio à luz no seu periodo da regência do orquestra de Meiningen onde conheceu Alexander Ritter, violinista e grande conhecedor não só da obra wagneriana, mas tambem de Liszt, da filosofia de Schopenhauer e que se tornou, à revelia do pai, o mentor sombra do jovem compositor.

18.4.06

Direito de Antena e de Resposta ou "O Mário"


Aos comentadores que insistem em confundir o Richard Strauss com o Mário Soares dedico esta imagem para comparação (este é o Mário e foi feita em Dezembro. São um bocado diferentes). Que a Pauline Strauss se pareça com a mãe do Khadafi vá que não vá... mas o Richard com o Mário! É demais mas pronto; sempre é mais um boneco que mostro.