Richard Mayr foi um dos baixos mais famosos da sua geração. Nascido perto de Salzburgo em 1877 foi introduzido por Mahler na Staatsoper de Viena e desde aí foi o seu baixo principal, para além de uma das primeiras estrelas do Festival de Salzburgo. Strauss queria-o em vez de Perron na estreia do Ochs no Rosenkavalier, mas o contrato de Mayr não permitia que os seus serviços fossem utilizados em Dresden (estreou o papel com grande sucesso poucas semanas depois, em Viena). Em 1919 quando Strauss foi nomeado director da ópera de Viena, estreou o papel de Barak em Frau ohne Schatten, mas foi ele sobretudo (e Strauss tinha razão na sua preferência) o primeiro verdadeiro Ochs von Lerchenau. Existe uma gravação da Naxos de 1933 com Lehmann em Marschallin, Elizabeth Schumann (Sophie), Maria Olszewska (Octavian) e Mayr neste papel, que é considerada, pese a qualidade do som, como a mais genuina de todas as interpretações. Mayr morreu em 1938, no ano do Anschluss.8.7.06
Amigos de Strauss (XXVII) Richard Mayr
Richard Mayr foi um dos baixos mais famosos da sua geração. Nascido perto de Salzburgo em 1877 foi introduzido por Mahler na Staatsoper de Viena e desde aí foi o seu baixo principal, para além de uma das primeiras estrelas do Festival de Salzburgo. Strauss queria-o em vez de Perron na estreia do Ochs no Rosenkavalier, mas o contrato de Mayr não permitia que os seus serviços fossem utilizados em Dresden (estreou o papel com grande sucesso poucas semanas depois, em Viena). Em 1919 quando Strauss foi nomeado director da ópera de Viena, estreou o papel de Barak em Frau ohne Schatten, mas foi ele sobretudo (e Strauss tinha razão na sua preferência) o primeiro verdadeiro Ochs von Lerchenau. Existe uma gravação da Naxos de 1933 com Lehmann em Marschallin, Elizabeth Schumann (Sophie), Maria Olszewska (Octavian) e Mayr neste papel, que é considerada, pese a qualidade do som, como a mais genuina de todas as interpretações. Mayr morreu em 1938, no ano do Anschluss.7.7.06
Amigos de Strauss (XXVI) Karl Perron
Karl Perron (1858-1928), baixo-barítono alemão fica na história quanto mais não seja por ter criado três papeis masculinos de três óperas fundamentais de Strauss; estreou o Jonakaan em Salome (1905), foi o primeiro Orestes (Orest) de Elektra (1909) e por fim o primeiro Ochs do Rosenkavalier (1911). Em 1881, vindo de Leipzig, tornou-se cantor da ópera de Dresden que desde essa data tornou-se o centro da sua vida profissional. Viajou pela Europa onde conquistou auditório atrás de auditório não apenas com papeis de ópera mas também como cantor de Lied. Conseguia cobrir duas oitavas a partir da tessitura de basso profondo com uma técnica impressionante. Dotado de uma capacidade dramática notável foi chamado por Cosima a Bayreuth na década de oitenta. Os seus Amfortas, König Marke e particularmente o seu Wotan, influenciaram as gerações posteriores de cantores do festival. Strauss admirava-o. Se as suas qualidades se aplicavam perfeitamente às estilizadas personagens de Orestes e Jonakaan tal não acontecia, porém, com Ochs onde a venalidade comum impera e onde é necessária uma boa dose de comediante. Strauss sabia-o e tentou primeiro contratar o baixo Richard Mayr da ópera de Viena. As suas preocupações ficaram expressas na correspondencia com Hofmannsthal, o libretista; "In case you and Reinhardt [refering to Max Reinhardt the producer] do not succeed in grooming Perron for the part, I give you full powers of veto to cancel the premiere with Perron on the 26th. . . . [Perron] is such a first-class artist that he will understand and share our misgivings." Porém mesmo o facto de o seu Ochs dramáticamente ter sido o elo fraco dessa estreia, a mesma foi um sucesso estrondoso.6.7.06
Amigos de Strauss (XXV) Franz Strauss
Franz Strauss nasceu em 1922. Formado na filarmónica do seu tio, Georg Walter, em todo o género de metais, aos quinze anos foi convidado para tocar guitarra na orquestra do Príncipe Maximiliano em Munique. Foi nesta orquestra que desenvolveu aquele que seria o instrumento que o fez famoso; a trompa. Dez anos depois em 1847 foi admitido na prestigiada orquestra da corte e fez-se cidadão de Munique. Em 1851 casa-se mas três anos de pois um surto de cólera levou-lhe a mulher e os dois filhos. Dez anos depois casa-se com Josephine, filha de um importante cervejeiro local, Georg Pschorr. Deste casamento nasceu em 11 de Junho de 1864 Richard Georg e em 9 de Julho de 1867 uma rapariga, Bertha Johanna. Neste periodo Franz Strauss compôs especificamente para trompa e a sua fama era tal que o maestro Von Bülow o apelidou de "Joachim da Trompa" (Joseph Joachim, coetâneo de Franz Strauss foi um famosíssimo virtuoso do violino do século XIX). O seu credo musical colocava em primeiro lugar a trindade de deus Mozart no centro e Beethoven e Haydn ao lado, seguidos de Schubert e Weber e a alguma distância por Mendelssohn e Spohr. Mas era sobretudo de ópera que Luis II da Baviera gostava e particularmente da ópera de Wagner que era o seu convidado. Franz reprovava fortemente Wagner e era retribuido nos sentimentos mas Wagner foi obrigado a observar que "se esse Franz era um sujeito detestável tocava trompa melhor que ninguem." Foi um grande pedagogo da Trompa e chefiou uma orquestra amadora que fazia muita música séria (a Wilde Gung'l) e com a qual estreou muita da música do filho. Se pai e filho foram tendo atritos sobre estilo, particularmente à medida em que o jovem Richard foi sendo atraído pelas novas tendências musicais, os ensinamentos que aquele lhe prestou foram valiosos. Franz Strauss retirou-se e dedicou-se a partir daí a cuidar da carreira do filho; apesar de ser crítico nunca deixou de o impulsionar a descobrir a sua própria linguagem musical. Franz morreu em 1905 cinco dias antes da estreia de Salomé, o primeira obra-prima operática do seu filho, Richard Strauss.Amigos de Strauss (XXIV) - Annie Krull
Annie Krull, cantora da ópera de Dresden foi a primeira Elektra (1909). A sua colaboração com Strauss começou porém em 1901 quando participou na estreia da sua ópera cómica Feuersnot. Só se lhe conhece uma gravação e é justamente de 1909 onde representa Elizabeth no Tanhäuser. Era uma soprano de cariz mais dramático do que lírico. O The Opera Quarterly observa sobre esta gravação; "Annie Krull displays a cool, low-vibrato timbre and remarkable evenness of emission. Some of her high notes have a peculiar aerated quality" 5.7.06
Amigos de Strauss (XXIII) Karl Böhm
Karl Böhm, austríaco, iniciou a carreira verdadeiramente em 1921 quando foi notado por Bruno Walter e convidado para ser seu assistente em Munique. Em 1927 dirigia a orquestra de Darmstadt. Em 1933 (esse ano do destino para a Alemanha) quando dirigiu pela primeira vez o Tristão e Isolda em Viena, foi convidado pelas novas autoridades alemãs para substituir Fritz Busch que fora saneado na ópera de Dresden e emigrara. Aí o destino colocou-o frente a Strauss, que tinha a ópera de Dresden como o lugar de quase todas as estreias das suas óperas. Böhm dirigiu este importante teatro até 1942. Nessa qualidade estreou em 1935 Die Schweigsame Frau, a tal ópera com o libretto de Stefan Zweig que foi rápidamente silenciada pelos nazis, e três anos depois Daphne, que lhe foi dedicada. Em 1942 estreou também o Concerto nº2 para trompa e orquestra. Foi também o maestro convidado para a performance de Ariadne auf Naxos no malogrado octagésimo aniversário de Strauss em 1944. Böhm foi essencialmente um mozartiano tal como o maestro Richard Strauss e por isso talvez o interprete orquestral mais sensível à quintessência mozartiana da música do compositor alemão. No pós guerra foi uma das almas do festival de Salzburgo, cidade onde viria a falecer em 1981. A suas gravações das sinfonias de Mozart (1974) são ainda hoje a referência em orquestra convencional.Amigos de Strauss (XXII) Maria Jeritza


Soprano nascida em Brno uma cidade situada na actual República Checa, que era então parte do império austro-hungaro. Foi uma verdadeira estrela nos anos 20 (o senhor ao lado é o próprio Strauss na estreia vienense da Die Aegyptisches Helena). Com Lotte Lehmann com quem manteve uma rivalidade ao longo da carreira constitui a primeira geração de divas straussianas e que obteram a nororiedade pela interpretação dos seus papeis. Maria Jeritza para além da voz trazia o glamour para o palco, sendo por isso perfeita para muitas das personagens femeninas de Strauss que naturalmente o exigem. Começou a cantar nos palcos em 1910 na Morávia natal, como Elsa no Lohengrin e estreou-se em Viena em 1912. Notada por Strauss criou nesse mesmo ano o papel de Ariadne na primeira versão em Estugarda. Em 1916 contracenou com Lehmann na segunda versão já em Viena. De novo em 1919, e também em Viena, criou o papel de imperatriz, a Frau ohne Schatten. Foi a Aegyptisches Helena em 1928. Até 1935 foi a diva da Staatsoper de Viena. Cantou no Met de Nova Iorque até 1932, data do triunfo definitivo de Lehmann. Sendo amiga da família Strauss, foi a dedicatária das Vier Letzte Lieder e de outras cançõs tardias do compositor.
4.7.06
Amigos de Strauss (XXI) - O próprio aos 80 anos

Strauss comemorou o octagésimo aniversário em 1944 e a estreia de Die Liebe der Danae estava prevista para a comemoração oficial dessa ocasião. Perante a severidade dos bombardeamentos aliados e a situação de derrota eminente da Alemanha, Goebbels decidiu o encerramento de todos os festivais, incluindo este, consagrado à obra de Strauss. O maestro Clemens Krauss, encarregue do festival, mesmo assim conseguiu, devido à posição de estima que possuia perante os nazis, que a estreia de Danae fosse adiante como uma indulgente excepção perante o estado avançado dos ensaios e preparativos em Salzburgo. Com a aquiescência do gauleiter de Salzburgo, o ensaio geral decorreu a 16 de Agosto mas por fim Goebbels foi em frente e proibiu quaiquer outras performances. Strauss ficou desolado; o interludio orquestral antes da última cena comovia-o especialmente. Foi encontrado no camarim comovido agarrado à partitura e a gesticular em direcção ao céu - "Quado eu fizer o meu caminho lá para cima, espero ser perdoado se levar isto comigo". Só em 1952, três anos após a morte de Strauss, Clemens Krauss daria uma inauguração decente a Danae em Salzburgo.
3.7.06
Amigos de Strauss (XX) Pauline Strauss
Pauline de Ahna casou-se em 1894 com Richard Strauss. Esta imagem representa-a na primeira década do século XX quando abandonara definitivamente os palcos para se dedicar à família (o filho de ambos chamou-se Franz, como o avô paterno). Em casa exagerava as virtudes da hausfrau alemã a um nível que rondava a obcessão. Em publico mostrava-se fria e nervosa, por vezes antipática. Porém em privado o casal Strauss entendia-se, compensando o excelente humor de Richard, o carácter mais acidentado de Pauline. A sinfonia doméstica e mais tarde a ópera Intermezzo, são tributos do próprio Strauss à sua vida familiar. Christine de Intermezzo, papel que foi criado por Lehmann é modelado em Pauline enquanto Strauss (Avestruz) é Robert Storch (Cegonha). A ópera humorada é uma obra prima muito especial, um pouco à parte, cujo libretto foi escrito pelo próprio. Quando Lotte Lehmann após a estreia dirigiu-se a Pauline elogiando o tributo que o marido lhe prestara, esta respondeu caracteristicamente e em voz alta: "estou a borrifar-me!" O casal continuou junto até à morte de Strauss em 1949. Pauline, privada da sua razão de vida, morreu seis meses depois, a 13 de Maio de 1950.2.7.06
Amigos de Strauss (XIX) Lotte Lehmann
Lotte Lehmann foi uma das maiores (senão a maior) sopranos do século XX alemão. Foi Strauss que a lançou ao propô-la para o papel travesti de compositor (na imagem) do prólogo cómico da versão revista da Ariadne auf Naxos, estreada em Viena em 1916. Com a checa Maria Jeritza, que na mesma ocasião representou o papel de Ariadne, Lehmann forma a primeira geração de divas straussianas. A sua Marschallin considera-se o modelo de todas as outras que vieram depois. A sua criação de papeis em óperas de Strauss não se ficou por aí: foi a primeira Färberin na Frau ohne Schatten e foi a primeira Christine de Intermezzo. (também foi a criadora em Viena de muitos papeis de Puccini que era um grande admirador da sua voz.) Foi uma amiga íntima do casal Strauss e é por ela que nos chegaram as imagens mais vivas do ambiente familiar de Garmisch. Viena era a sua verdadeira casa e quando sucedeu a ascenção dos nazis ao poder na Austria (O anschluss) Lotte Lehmann emigrou para os EUA. Em 1951 depois de mais de 93 papeis representados, de uma carreira de lied raramente igualada, e mais de 500 gravações, Lotte Lehmann retirou-se dos palcos e fundou uma escola de canto. Morreu em 1976.1.7.06
Hooliganize Hildesheim!

Fritz Busch, Alfred Roller, Annie Krull, Sir Thomas Beecham, Kirsten Flagstad, Wilhelm Furtwangler, Maria Jeritza, Maria Cebotari, Clemens Krauss e Strauss aos 70. Hoje faço batota. trabalhei pouco porque passei o dia todo a ver a bola fui hooliganizar para o centro da pacata cidadezinha local e confraternizar com italianos. Pronto! Fiz o meu dever de emigrante que é como quem vota e que é dar uma apitadelas desordeiras para me vingar da chiadeira que o alemães fizeram ontem por terem passado também às meias. Passei por alguns ingleses. Só fiz duas peças para o Strauss e avancei uma das pinturas grandes. Como não quero estragar a média de um post por dia aqui vai uma série de fotografias de personagens que vou vou passar para o acrílico nestes próximos dias (bela coleção de cromos)... Ah!E a minha irmã mais nova faz vinte anos. Parabéns Joana.
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