8.2.08

Trabalhos para o ARCO (2) Via Va Via


De pequeníssimas dimensões; apenas 30 por 24cm. Ando a pintar este quadro desde 2003... ou talvez muito antes. A tela comprei-a quando andava na ESBAL e já a pintei nessa altura. Na foto são difíceis de não notar os gorgulhos das camadas de tinta.

Trabalhos para o ARCO (1) Pin-Hole Aidée


Mede uns simpaticos 220 por 16ocm. Sofreu um acidente com uma corrente de ar mas já não se nota nada.

16.1.08

ZDB a 16 de Janeiro - Visita livre no dia 19 deste Mês










Estão convidados na Rua da Barroca a partir das 17 horas, Sábado e Domingo.

21.12.07

Fayum - os Retratos Fúnebres











Estes estavam em Berlim. Nenhuma colecção egípcia deveria passar sem estes rostos queimados de olhar fixo, os primeiros grandes retratos da história da pintura.

19.12.07

O Tríptico e o Outro



Os dois quadros grandes acabados desde que estou na ZDB. Um deles foi o que esteve em Novembro último na FAC.

Kassel (12) Sheela Gowda




Estou irritado. Tinha escrito um texto bestial para esta entrada e foi-se tudo.
Sobre estre trabalho feito de cinzas de incenso? gostei muito. Sheela Gowda nasceu em 1957 na Índia. Fica assim. Curto e feio! Vou dormir.

18.12.07

Kassel (11) Luis Jacob




Varios dos autores apresentados nesta Documenta representaram-se com dois ou três trabalhos. O peruano-canadiano e gay Luis Jacob (1970) é uma das mais típicas opções deste projecto e pode constituir um lugar de reflexão sobre a desilusão geral provocada em muitos pela Documenta XII. O trabalho de Jacob por si próprio tem algum interesse, particularmente o Album III datado de 2004. Consiste em recortes de revistas fortemente diversos associados forlalmente entre si e montados em 159 páginas. A sucessão destas cria efectivamente um discurso muito semelhante a exercícios que realizámos no primeiro ano da ESBAL numa cadeira que se chamava "comunicação visual". Não quero ser mauzinho aqui; As associações de Jacob são naturalmente mais atentas mas o texto do catálogo de Allan Antliff (especialista em anarquismo e arte) excede-se em interpretações como esta: "Album III evokes the open structures of an anarchist (Jacob é activista) social system which by its very nature will evolve organically in accord with the desires and needs of its participants" - é de ir ao vómito. Poderia-se fazer esta leitura ou um elogio à pedagogia do Design de Andrea Branzi ou outra história qualquer. São fotografias justapostas pelas suas características formais em sucessão. Apenas isso. O segundo trabalho, feito para esta Documenta revela outra faceta de Jacob interessante para os curadores. A transdisciplinaridade multimédia de quem veio da dança. A Dance for Those of Us Whose Hearts have turned to Ice, Based on the Choreography of Françoise Sullivan and the Sculpture of Barbara Hepworth. Titulo muito comprido mas um trabalho escolar fraquinho, confuso e totalmente desinteressante. O impagável Antliff encerra o texto da seguinte forma; "Hepworth encapsulated anarchism's social organicism (será que é a mesma Barbara Hepworth?) on a metaphorical level, as form; Sullivan enacted it, as performance. Jacob conceptualizes these high modernist (percebe-se também aqui o tema da Documenta) expressions of liberation by highlighting qualities of prefiguration and embodiment - the dual moments of affirmation. In this way, his project contributes to the anarchic realisation of freedom as a living experience." Nada mais vago, mas a obcessão de Antliff com as raizes anárquicas de Jacob é bem patente. O trabalho esse, em si está longe de ser um inspirador de liberdade. É excessivamente mau para conseguir algo que se assemelhe. Anything Goes!

17.12.07

Kassel (10) 田中 敦子, Tanaka Atsuko





Quando em 1996 no primeiro Caldas Late Night, no que foi a minha primeira performance, vesti-me de luzes de natal e recitei o excerto de Finnegans Wake que Joyce ele próprio lê numa gravação famosa, não sabia que qualquer coisa de parecida tinha acontecido (e com muito mais interesse) no Japão quarenta anos antes. Descobri não muito mais tarde quando as minhas investigações sobre Fluxus me levaram à descoberta do grupo japonês Gutai. Este grupo fundado por Jiro Yoshihara em 1954 tinha associações fortes ao concretismo francês. No entanto Gutai não se ateve ao abstraccionismo pictural e os seus membros desenvolveriam ainda na década de 50 acções que seriam pioneiras mundiais do Happening, da instalação e da Arte Conceptual. Estas experiências entendidas como extensões naturais do espaço pictórico exploravam literalmente aspectos do manifesto de Yoshihara: "We have decided to pursue the possibilities of pure and creative activity with great energy. We tried to combine human creative ability with the characteristics of the material in order to concretize the abstract space. When the abilities of the individual were united with the chosen material in the melting-pot of psychic automatism, we were overwhelmed by the shape of space still unknown to us, never before seen or experienced. Automatism naturally made the image which did not occur to us. Instead of relying on our own image, we have struggled to find an original method of creating that space." (retirado do Manifesto Gutai). Atsuko Tanaka, falecida em 2005 foi talvez a mais proeminente artista deste grupo. Não se percebe imediatamente a razão da inclusão do fato eléctrico de Atsuko na Documenta XII. Uma das passagens originais e líricas do manifesto Gutai tem a ver com o elogio da decadência dos materiais e implicitamente um ajuste de contas com a arrogância construtiva do modernismo arquitectural; "This is described as the beauty of decay, but is it not perhaps that beauty which material assumes when it is freed from artificial make-up and reveals its original characteristics? The fact that the ruins receive us warmly and kindly after all, and that they attract us with their cracks and flaking surfaces, could this not really be a sign of the material taking revenge, having recaptured its original life?" (idem) Talvez esteja aqui a razão desta inclusão e decerto uma perspectiva surpreendente de leitura do próprio fato de Atsuko.

16.12.07

Kassel (9) Jirí Kovanda



Nascido em Praga em 1953, Kovanda destacou-se numa segunda geração de artistas checos influenciados por Fluxus ao realizar uma série de 30 performances nos últimos anos da década de setenta baseadas em gestos quase imperceptíveis difusos na rotina quotidiana de uma cidade a viver dias pesados após a supressão da chamada "Primavera de Praga". As acções eram só sentidas como tal pelo próprio e pela câmara que registava os acontecimentos. A leitura não é directamente politizável e nesse aspecto separa-se de muitos outros trabalhos realizados entre a muito madura classe artística e intelectual checa desses anos, directamente orientados para a crítica mais ou menos difusa a Husak e ao controlo de Moscovo. Evidentemente o trabalho de Kovanda, por outro lado não deixa de ter uma leitura política embora esta não seja destinada à situação específica da Checoslováquia dos anos setenta mas a uma existência individual no meio de sociedades fortemente condicionadas e dispositivadas e nesse aspecto pode-se relacionar o trabalho de Kovanda com os trabalhos de Fluxus tardio ou Bas Jan Ader. Este set fotográfico diz respeito a uma acção das de cerca de uma dezena que estiveram em exposição em Kassel. A acção consiste em subir uma escada rolante olhando fixamente nos olhos de pessoas ali próximas. Outras acções de kovanda consistem em esperar sentado que o telefone toque, andar no sentido contrário ao de uma multidão tocando levemente nas pessoas ou ficar de braços abertos no meio da praça de S. Venceslau durante algum tempo. Tendo em 1979 cessado com a performance, Kovanda, prosseguiu este estilo de acções em objectos instalados como por exemplo, um pequeno monte de sal deixado, como por acaso, no parapeito a ponte Carlos.

15.12.07

Kassel (8) Sanja Ivekovic




Nascida em 1949 em Zagreb na antiga Jugoslávia (hoje na República Croata). O seu trabalho é "caracterizado pelo discurso crítico acerca das política das imagens e do corpo. A análise da identidade, construções nos media bem como a militância politica, a solidariedade e o activismo pertencem ás suas estratégias artísticas." Este trabalho intitulado de "triangulo" data de 1979 e é uma acção descrita pela autora da seguinte maneira: ’The action takes place on the day of the President’s (Tito) visit to the city. It develops as intercommunication between three persons: 1. A person on the roof of the high building which is across the street from my apartment 2. A policeman on the street in front of the house 3. Myself on the balcony. Due to the cement construction of the balcony, only the person on the roof can actually see me and follow my action. My presumption is that this person has a pair of field-glasses and a walkie-talkie. I also notice that the policeman in the street has a walkie-talkie. The action begins when I walk out on the balcony and sit on a chair. I drink whisky, read a book, and pretend to masturbate. After some time a policeman rings my doorbell and orders that ’persons and objects should be removed from the balcony’.’ Sanja Iveković Zagreb, Savska 1, 10 May 1979
As quatro fotografias das quais apresento duas ilustram o cenário que despoleta o acontecimento descrito. As tomas de imagens da autora parece mimar as perspectivas de câmaras de TV durante um acontecimento público do género deste. O mesmo dispositivo, do outro lado, o policial, determina o fim da acção.
Sanja Ivekovic foi a pioneira do video artístico na antiga Jugoslávia e a primeira a declarar-se feminista. Continua em actividade e a ocupar um lugar central no panorama artístico croata. O valor deste trabalho reside não tanto no sinal político expresso pela postura feminista mas sim na própria estratégia de subversão e provocação pela armadilha à estrutura preenchida da vigilância policial e à moralidade do policial masculino (embora eu desconfie de que se fossem mulheres polícias o resultado seria idêntico). As ordens de evacuação da varanda excedem pela actividade simulada da autora a normal missão policial que consistiria em salvaguardar a existência de um eventual atentado. A natureza intrinsecamente dictatorial da policia sustentada nos sistemas de vigilância revela-se assim.